Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026
Igrejas e praças das 4 cidades | Fotos: Reprodução / Google Street View

Conhecida como a capital da cachaça baiana, Abaíra não ficou “de ressaca” quando o assunto foi qualidade de vida. O município liderou o ranking de desenvolvimento social do Índice de Progresso Social (IPS) 2026 na Bahia e puxou uma lista — curta — de cidades baianas acima da média nacional. Além de Abaíra, apenas Lauro de Freitas, Itiruçu e Valente superaram a média brasileira de 63,40 no levantamento divulgado nesta quarta-feira (20). 

Vale explicar que os números são altos em comparação à média da Bahia. Em uma análise geral, o estado ocupou uma das piores posições nacionais e atingiu a média de 58,72, ficando à frente somente de cinco estados: Rondônia, Amapá, Acre, Maranhão e Pará.

O BN teve acesso aos dados do índice geral do IPS em 2026. Ao todo, 115 cidades estão acima da média baiana, ou seja, 27,58% do estado atingiu uma média qualidade de vida. Contudo, esses números apresentam uma série histórica de desigualdades nas três categorias gerais avaliadas pelo levantamento, que foca em como a população recebe os investimentos, em contraponto aos valores em si.

A nota geral é resultado de uma média de três indicadores avaliados no índice: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.  Esses indicadores usam um total de 57 bases de dados de fontes oficiais e de institutos de pesquisa.

 

Alguns exemplos são o Ministério da Saúde, Ministério da Cidadania, Sistema Nacional de Informações sobre o Saneamento (SNIS), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), MapBiomas, Anatel, CadÚnico, entre outras.

As 10 melhores cidades no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia são:

As cidades com os piores desempenhos no Índice de Progresso Social (IPS) da Bahia foram Camamu, com 48,39, e Taperoá, com 49,54. Veja o ranking das 10 menores notas do estado:

 

A capital baiana também não pontuou de modo muito positivo quando comparada com a última edição, de 2025. Salvador ficou na quarta pior posição em qualidade de vida entre as capitais e, na Bahia, ocupou a 15ª posição dos municípios baianos, com 62,18. A cidade ficou atrás de municípios como São Gabriel, com 62,32, e Luís Eduardo Magalhães, com 62,27.

COMO É FEITA A NOTA?
De modo simples, o índice também foi pensado como uma ferramenta prática para orientar políticas públicas e investimentos privados, além de possuir aplicação territorial. A estrutura do IPS é dividida em três grandes dimensões: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem-Estar e Oportunidades.

A primeira, “Necessidades Humanas Básicas”, avalia aspectos essenciais como nutrição, cuidados médicos, moradia, saneamento e segurança pessoal. A segunda, “Fundamentos do Bem-Estar”, analisa fatores que contribuem para a manutenção da qualidade de vida, como acesso à educação básica, saúde, bem-estar, informação, comunicação e qualidade ambiental.

Já a dimensão “Oportunidades” verifica se existem condições para que os indivíduos desenvolvam plenamente suas capacidades, observando indicadores ligados a direitos individuais, inclusão social, liberdades e acesso ao ensino superior.

Ao todo, o IPS Brasil 2026 utiliza 57 indicadores provenientes de bases oficiais e institutos de pesquisa. Entre os indicadores avaliados estão cobertura vacinal, mortalidade infantil, acesso à água, internet, violência, expectativa de vida, obesidade, inclusão política de mulheres e negros, homicídios e acesso à educação superior.

O índice varia de 0 a 100, sendo que, quanto maior a nota, melhor o desempenho social do território. O cálculo é feito a partir da média das três dimensões principais, enquanto cada componente recebe pontuação baseada em indicadores padronizados e comparáveis entre os municípios.

O Bahia Notícias realizou um mapa completo e interativo em que você consegue conferir esses dados. Confira abaixo:

 

 

 

Somente quatro cidades da Bahia estão acima da média nacional de qualidade de vida no IPS 2026
Fonte: Dados do Índice de Progresso Social (IPS) | BAHIA NOTÍCIAS

Tesouro lança título com resgate 24 h para competir com poupança e cofrinhos
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil

O Tesouro Nacional, a B3 e o Banco do Brasil lançam nesta segunda-feira (11) o Tesouro Reserva, novo título público que irá disputar espaço com poupança e cofrinhos de instituições financeiras. O dinheiro poderá ser sacado a qualquer hora e, ao fazer o resgate, o investidor receberá o Pix com o valor. Com aplicações a partir de R$ 1 e rendimento atrelado à taxa Selic, é voltado para formar reserva de emergência.

O título do Tesouro Direto será liberado neste momento apenas no Banco do Brasil, que tem 80 milhões de correntistas e é parceiro do projeto. A B3 afirma que outras instituições financeiras estão em fase de testes e devem ofertar o papel em breve.

As operações serão feitas pelo aplicativo Investimentos BB, com movimentação via Pix. Como terá funcionamento ininterrupto, será possível sacar ou investir 24 horas por dia nos sete dias da semana.

O principal diferencial na comparação com o Tesouro Selic, que também acompanha a taxa básica de juros, é que ele não terá marcação a mercado -mecanismo que faz o valor dos títulos oscilar antes do vencimento conforme as condições do mercado. Isso evita pequenas variações negativas que costumavam aparecer no extrato de investidores que resgatavam recursos antecipadamente.

O investimento terá rendimento a partir do primeiro dia útil após a aplicação e limite de R$ 500 mil por investidor ao mês, sem restrição para resgates.

Segundo Patricia Palomo, planejadora financeira CFP pela Planejar, o título busca reduzir barreiras que ainda afastavam parte dos pequenos investidores do Tesouro Direto por ter liquidez imediata, simplicidade operacional e previsibilidade no resgate.

A especialista diz que, hoje, muitos investidores utilizam CDBs de liquidez diária, caixinhas ou cofrinhos de bancos digitais ou fundos DI para guardar a reserva de emergência justamente porque conseguem acessar o dinheiro rapidamente e visualizar o saldo sem oscilações aparentes.

Embora o Tesouro Selic já fosse considerado tecnicamente adequado para esse objetivo, Patricia afirma que a marcação a mercado gera desconforto, principalmente entre iniciantes. "Muitos investidores ouviam que o Tesouro Selic era adequado para reserva de emergência, mas ao visualizar pequenas oscilações negativas no saldo, concluíam que tinham 'perdido dinheiro’, mesmo quando isso fazia parte da dinâmica normal da marcação a mercado", diz.

Para ela, o novo produto aproxima o Tesouro da experiência dos cofrinhos digitais, mas com um título público federal como base do investimento.

Patrícia avalia que o Tesouro Reserva tende a ser mais vantajoso para investidores que priorizam previsibilidade e liquidez constante, inclusive fora do horário bancário. Outro ponto é que alguns CDBs de liquidez diária pagam percentuais menores que o CDI para clientes de menor patrimônio, enquanto o Tesouro Reserva tende a acompanhar mais diretamente a dinâmica da Selic. "Dependendo da instituição financeira, isso pode melhorar o retorno líquido para pequenos investidores", diz.

Mas ela diz que o novo título não necessariamente substituirá outros produtos de renda fixa. Alguns bancos oferecem CDBs com liquidez diária, cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) e rentabilidade superior ao Tesouro Reserva. Além disso, fundos DI também podem seguir atrativos para quem busca gestão profissional de caixa e integração com plataformas de investimento, apesar das taxas de administração e do come-cotas.

"O principal ponto é entender que ‘sem marcação a mercado’ não significa ausência total de riscos. Movimentações muito frequentes podem reduzir bastante a rentabilidade líquida", afirma Patricia. Na prática, ela diz que o Tesouro Reserva tende a ampliar as alternativas disponíveis e aumentar a concorrência por recursos de curto prazo, mas a escolha ideal ainda dependerá do perfil de uso, do horizonte de liquidez e da relação entre simplicidade, retorno e conveniência para cada investidor.

COMO É O DESCONTO DO IMPOSTO DE RENDA

Valem as mesmas regras tributárias dos demais títulos públicos. Há cobrança do Imposto de Renda sobre os rendimentos, com alíquotas regressivas (quanto mais tempo permanecer aplicado, menor o imposto). Para saques feitos em até 30 dias, pode haver cobrança de IOF -zerado após esse prazo. A cobrança é automática, feita pela instituição financeira na fonte, sem necessidade de o investidor fazer algum pagamento à parte.

"A pessoa pode aplicar a partir de R$ 1 e resgatar quando quiser, 24x7, de forma simples. Isso reforça uma questão importante de finanças comportamentais: quando a pessoa detém um investimento, aumenta seu interesse na jornada de educação financeira", afirma Felipe Paiva, diretor de relacionamento com clientes e pessoa física da Bolsa.

 


Prazo para regularizar título de eleitor termina em dez dias
Foto: Roberto Jayme/Ascom/TSE

Eleitores têm até o dia 6 de maio para regularizar o título e garantir o direito ao voto nas eleições de 2026. O prazo é definido pelo Tribunal Superior Eleitoral e vale para quem precisa resolver pendências na situação eleitoral.

A consulta pode ser feita gratuitamente no site do TSE. Basta acessar o menu “Consultas” e clicar em “Situação do título”, informando número do título, CPF ou nome completo e data de nascimento.

Caso haja irregularidades, o eleitor deve utilizar o sistema de Autoatendimento Eleitoral, selecionar a opção “Regularizar título cancelado”, preencher o formulário e enviar os documentos solicitados. Após a solicitação, é possível acompanhar o andamento do pedido pela mesma plataforma.

Quem não regularizar o documento pode enfrentar restrições, como impedimento para participar de concursos públicos, receber salários em cargos públicos, participar de licitações, emitir passaporte ou carteira de identidade, renovar matrícula em instituições públicas de ensino e comprovar quitação com obrigações legais.

O primeiro turno das eleições de 2026 está marcado para 4 de outubro, quando os brasileiros irão escolher deputados federais e estaduais, senadores, governadores e presidente da República. Caso necessário, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.


Com renovação “sem pagamento” para 2027, Neoenergia registrou lucro de R$ 5 bilhões no último ano
Foto: Divulgação

A Neoenergia, concessionária responsável pela administração da Coelba, divulgou seu relatório de atividades de 2025 e apresentou um lucro líquido de R$ 5 bilhões durante o ano passado. A operação na Bahia é uma dos responsáveis pelos números, com os ganhos crescendo 8% em relação a 2024, alcançando R$ 1,95 bilhão. 

Todavia, apesar do lucro registrado pela empresa espanhola, não há previsão da realização de nenhum pagamento para a renovação da concessão com a Coelba, prevista inicialmente para ser encerrada em 2027. No dia 6 de abril, o Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou a aprovação da renovação do contrato por mais 30 anos, apesar de críticas ao serviço prestado ao estado.

A nova concessão à Neoenergia, inclusive, foi alvo de críticas pelos deputados da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA). Um relatório elaborado pelos parlamentares havia sugerido a não renovação do contrato e a abertura de um novo processo licitatório. O documento apontou problemas estruturais na atuação da concessionária no estado.

Entre os pontos destacados estão interrupções frequentes no fornecimento de energia, elevado número de reclamações de consumidores, mais de 44 mil ações judiciais contra a empresa, dificuldades no atendimento a regiões produtivas e aumento nas tarifas nos últimos anos.

Em 2023, a Coelba acumulou 689 reclamações fundamentadas, aquelas com evidente infração às leis que regem as relações de consumo, liderando as queixas na Superintendência de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon). No ano seguinte, ela ocupou o segundo lugar, registrando 1.753 queixas no Procon. As principais insatisfações correspondem à queda do serviço de energia.

No ano passado, a Justiça da Bahia determinou que a Neoenergia adotasse medidas imediatas para melhorar o fornecimento de energia elétrica na cidade de Belmonte. O município enfrentou interrupções frequentes, apagões e quedas de energia em qualquer hora do dia, inclusive em finais de semana e feriados.

Um caso mais recente envolve a cidade de Xique-Xique, a qual ficou com o serviço elétrico suspenso por cerca de 16 horas. A energia do município foi desativada às 2h do dia 1º de março e só foi normalizado por volta das 19h. Segundo informações da Coelba, a queda ocorreu devido a “uma falha no circuito do transformador da subseção do serviço”.

A COELBA

A Coelba foi privatizada em julho de 1997, com 65,4% do seu capital vendido por R$ 1,73 bilhão para o consórcio Guaraniana S/A, formado pela empresa espanhola Iberdrola, que é a controladora da Neoenergia, e pelo Banco do Brasil. No mesmo ano, o governo federal firmou o contrato de concessão de 30 anos da Coelba, na época, também sem estipular o valor.

O Bahia Notícias encontrou o contrato original com a Neonergia. No documento, a concessionária se comprometeu a utilizar tecnologia adequada e métodos operativos que garantissem níveis de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade e cortesia na prestação dos serviços. No contrato também há uma clásula permitindo uma renovação por 30 anos, a qual foi acionada.

Com renovação “sem pagamento” para 2027, Neoenergia registrou lucro de R$ 5 bilhões no último ano
Promessas estipuladas em contrato pela Neoenergia e clásula de renovação | Foto: Captura de tela

Em 2015, a Iberdrola vendeu sua participação na Coelba à Neonergia, fazendo com que a concessionária passasse a ter controle acionário de 96,3%, enquanto o Banco do Brasil ficou com 2,3% e os 1,4% restantes com outros acionistas. 

Apesar da privatização, por se tratar de um serviço considerado essencial, a Constituição Federal prevê que a operação deve ocorrer por meio de concessão pública, com prazo de validade estipulado.