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Jornalista Carlos Navarro lança livro sobre a situação enfrentada pela cidade de Boquira

Quarta 19 Dez 2018 - 08h24




Jornalista Carlos Navarro lança livro sobre a situação enfrentada pela cidade de Boquira

O jornalista Carlos Navarro Filho lança seu segundo livro, “Boquira”, nesta quarta-feira (19), na Casa do Comércio,  a partir das 17h. A história fala sobre a exploração de chumbo no sertão da Chapada Diamantina e destaca as consequências enfrentadas pela população do local após a saída de uma mineradora francesa.

Em 1970, Navarro, que era chefe da sucursal do Estadão, decidiu fazer um pool entre o veículo que trabalhava e o Jornal da Tarde, o Diário de Notícias e Jornal da Bahia para cobrir e estudar a situação que estava instalada em Boquira e realizar uma série de reportagens. O jornalista contou ao Bahia Notícias que tudo começou quando um padre visitou a cidade do centro-sul da Bahia e encontrou pedras que tinham um alto teor de chumbo. Depois, ele decidiu fazer um abaixo-assinado, mentindo que seria para reformar uma capela, mas na verdade ele requereu o usucapião das terras e as vendeu.

“Começou aí, o padre tomou as terras, e terminou vendendo a exploração para uma empresa do Paraná, que quando avaliou a área chamou essa multinacional francesa, a Peñarroya.  A partir disso aconteceram as coisas cabeludas da história, o governo da Bahia, que na época era chefiada por Antônio Balbino, desapropriou o povoado e deu para a empresa explorá-lo”, contou Navarro.

Para tentar amenizar o impacto da chegada da mineradora francesa, o governo criou um  Núcleo de Assistência Rural que iria servir para “garantir o bem estar das pessoas”. Mas segundo Navarro, o Núcleo não conseguiu ajudar praticamente ninguém e “morreu todo mundo”.

“Eles construíram um posto de saúde, uma escola, mas controlaram todo o resto. A empresa ficou lá por 20 anos, explorou e depois foi embora. Eles deixaram a cidade lá, toda poluída, a população sem terra e sem água. Até hoje Boquira não tem água potável porque todos os mananciais de lá estão contaminados pela mineração”.

Carlos Navarro lançou o livro na própria cidade de Boquira em julho deste ano, e revelou ao BN que a população do município mudou alguns pensamentos a partir da leitura do livro. Para ele “não existe melhor retorno” do que conseguir fazer com que as pessoas “abram os olhos” para a situação que de fato aconteceu na cidade.

“A população majoritária de Boquira, hoje em dia, está na faixa dos seus 40, 45 anos e conhece a história da cidade pelo que os pais contam, só que a maioria deles trabalhou na empresa, e contava uma história dourada sobre o que aconteceu: ‘não foi bem assim, era o ganha pão da gente'. Quando eles viram o livro, eles abriram os olhos e ficaram revoltados, tanto que o lançamento lá foi um ato na Câmara de Vereadores com centenas de pessoas. E se criou uma entidade e fortaleceu outras para se discutir esse assunto. Pra mim não tem melhor retorno, do que essa ação na própria cidade de Boquira."

Além de afetar Boquira, Navarro destaca também em seu livro os problemas deixados em Santo Amaro, no Recôncavo baiano, local em que o chumbo era beneficiado. “A mineradora causou uma poluição terrível. Foram milhões de toneladas de rejeitos com resíduos de chumbo. São mais de 1.200 mortes e dezenas de pessoas doentes e contaminadas até hoje. O caso ainda está na justiça”. Para o jornalista, o livro pode ser resumido como uma "grande denúncia": “o mais importante é fazer com que as pessoas fiquem sabendo da história”.

Carlos Navarro Filho é o responsável pela coluna Literatura, no Bahia Notícias, que traz todos os sábados a melhor seleção de textos de autores como Carlos Ribeiro, Uaçaí de Magalhães Lopes e Ruy Espinheira Filho, além de produções de sua própria autoria.

 

Fonte - Bahia Notícias

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