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Livramento: Técnico da Embasa diz que cor da água é só um parâmetro estético

Sexta 02 Fev 2018 - 11h04




Livramento: Técnico da Embasa diz que cor da água é só um parâmetro estético
Foto: Mandacaru da Serra

O eng. Agostinho Henriques, da Embasa/Caetité, a quem foi franqueado, ontem, amplo espaço nas rádios locais, falando sem ser contestado, fez inusitada inclusão da estética nos parâmetros de análise da água
Ele e o colega Manoel Mateus vieram tentar “limpar” a imagem da empresa, diante das queixas generalizadas contra a qualidade da água consumida pela população, em Livramento de Nossa Senhora, Bahia.
Nas explicações, acabaram confirmando a vulnerabilidade do sistema de abastecimento, principalmente quando tentou explicar a variação de cor da água que sai das torneiras, fonte de muitas reclamações.
Agostinho Henriques disse, por exemplo, que a qualidade da água não é afetada pela cor e pode ser usada normalmente, que se trata apenas de um parâmetro físico-químico e estético de análise do produto.
O problema é antigo e cada vez mais intenso. Chegou a ser levado ao governador Rui Costa, por uma moradora do bairro Benito Gama, na visita que ele fez a Livramento, no último sábado.

ADUTORA QUEBRADA - Primeiro, o engenheiro disse que a mudança de cor é causada pela baixa velocidade da água na tubulação. Depois, contradiz-se, admitindo que se trata de sujeira externa que entra na tubulação.
Isso acontece quando a adutora se rompe, o que é comum em Livramento, absorvendo tudo que há em volta da parte quebrada, como terra, lama, objetos e, por óbvio, toda espécie de agentes contaminantes.
A mudança de cor da água é uma prova de que não são feitos os expurgos nem a descontaminação exigidos nessas situações. Mesmo assim, o técnico da Embasa recomendou o uso tranquilo da água.
Mas uma atenta ouvinte da Portal FM, de forma simples, discordou dele, por telefone: “Esse moço disse que a gente pode usar a água, mas a gente não pode não. A gente não pode nem lavar a roupa, que fica suja”.
O engenheiro ousou dizer, ainda, que o sistema de abastecimento de água de Livramento não está obsoleto, que atende a 100% da cidade e entorno, que acompanha o crescimento urbano.
Ignorou estudo da própria Agência Nacional de Água, de 2005, publicado por Atlas Nordeste, Abastecimento Urbano de Água, no qual recomenda a duplicação da adutora e ampliação da estação de tratamento.

ESGOTO NA CACHOEIRA – Manoel Mateus disse que o lançamento dos efluentes, feito após a Cachoeira do Fraga, estava no projeto original do sistema de esgoto de Rio de Contas. Não é verdade, foi exigência, durante a obra, do então prefeito Márcio Farias.
O técnico também negou haver defeito numa das elevatórias de dejetos, que obriga o extravasamento in natura periódico, no rio, que ocorre desde a inauguração e previsto bem antes pelo engenheiro Ricardo Stumph.
Igualmente, procurou enrolar sobre o TAC, assinado em 2010, que a Embasa não cumpriu, tanto que foi notificada, em dezembro de 2017, pelo MP, e solicitou 60 dias de prazo para apresentar justificativas.
Pelo TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) a empresa está obrigada a responder por danos ambientais, implantar programa de reuso de efluentes e concluir pelo menos 50% das interligações à rede coletora.
E também implementar o monitoramento regular da água bruta e a de consumo. Tudo isso deveria ter ocorrido até 2011. O engenheiro revelou que o reuso só é feito molhando plantas na área interna e restrita da estação.

SURTO DE DIARREIA – Sobre o surto de diarreia e vômitos, em Livramento, disseram que a água foi examinada e não deu contaminação. E que está afastada a possibilidade de a causa ser a água da Embasa.
A empresa fez a análise em seu próprio laboratório e existe a possibilidade de ela ter razão. Porém, a conclusão definitiva ainda depende de análises mais ampliadas, que estão sendo concluídas pela Secretaria Municipal de Saúde.
O ponto chave será a identificação do agente patogênico causador dos vômitos e da diarreia, o que está sendo levantado através de exames laboratoriais nos pacientes, a cargo da Vigilância Sanitária do Município.
A população, na verdade, está diante de vários riscos de contaminação pela água: das torneiras, com a água esteticamente colorida; dos carros-pipas; e da água que irriga as lavouras, bombeada dos rios poluídos.

 

Fonte - Madacaru da Serra
 




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Foto: Mandacaru da Serra
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