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O amargo sabor que vem de quem insiste em não reconhecer a diferença entre a produção de frutas e o cuidado com as pessoas

Segunda 09 Out 2017 - 11h01




O amargo sabor que vem de quem insiste em não reconhecer a diferença entre a produção de frutas e o cuidado com as pessoas

Se necessitasse definir uma única premissa fundamental para quem se arvora a ocupar um cargo público, não me hesitaria em dizer: gostar de cuidar de gente. Uma boa gestão pública passa essencialmente pela melhoria da qualidade de vida das pessoas e isto está ligado diretamente a condição do serviço oferecido à população.  Os números são frios e em nenhuma medida poderão ser capazes de refletir o sentimento do ser humano. Em sendo assim, a capacidade de um bom gestor público só poderá ser reconhecida a partir dos seus feitos que estão atrelados a melhoria da condição de vida dos moradores.
Estou convicto de que esta é uma premissa que diferencia na essência a administração pública da privada. Na iniciativa privada o mérito está ligado ao resultado financeiro, na administração pública o mérito está relacionado a maximização do bem-estar social. Outro aspecto importante que separa o público do privado está no fato de que, na iniciativa privada, é possível se fazer tudo aquilo que não está impedido por lei, na administração pública só é possível fazer aquilo que a lei permite.
Infelizmente, para o mal de nossa cidade, Ricardinho Ribeiro parece ainda não ter entendido que agora não é mais responsável por conduzir os destinos de uma empresa comercial de frutas, que visa o lucro. Parece ainda distante da compreensão de que o que está em jogo é a condição de vida de pessoas, muitas delas em condições sociais frágeis, que dependem do poder público para garantia de condições mínimas de sobrevivência.
Deste modo, Ricardinho Ribeiro nos oferece um amargo sabor da sua gestão, expresso no desrespeito e soberba com que se relaciona com o funcionalismo público e pela frieza com que trata: a falta de medicamentos nas unidades de saúde; o abandono do hospital; a crise hídrica, em especial na sede do Distrito de Iguatemi; as recorrentes críticas no serviço oferecido pela UPA; etc. Não dá para tratar a realidade da nossa cidade pelo lado financeiro ou buscando culpados para os seus próprios fracassos. Faltam iniciativas louváveis e sobram privilégios para poucos, mantendo até mesmo os contratos milionários, tão criticado pelo atual prefeito nos anos anteriores, a exemplo do contrato com a LIG LIXO.
Comemoramos o aniversário de emancipação política de nossa cidade no último dia 06 de outubro, sem que sequer uma obra fosse inaugurada e sem nenhuma conquista relevante nestes últimos 280 dias. Pelo contrário, a festividade foi marcada por um debate judicial, já que, o prefeito não respeitou sequer os decretos que ele próprio editou, quando exigia contenção de despesa e decretava situação de emergência em função da seca, “forçando” a atuação do Ministério Público. Na falta do que mostrar, de maneira esdrúxula, ações de pequena relevância como a elaboração de projetos, a reedição do campeonato rural ou entrega de fardamentos aos agentes comunitários se transformaram em destaques em vídeo institucional.
Mesmo que ele queira macular a minha posição de hoje, sou eu quem faço a minha mea culpa, pois por alguns anos defendi a sua capacidade administrativa pelo êxito que experimentou na iniciativa privada. Os fatos até aqui demonstram que estava enganado. Sinto por ter fomentado um discurso exitoso, capaz de torna-lo prefeito, quando muitos não acreditavam nele.
Ainda que possa parecer inocente, me permito acreditar que os erros que marcam a sua gestão possam não estar limitado as suas próprias limitações, mas sim, às condições impostas pelo “sistema de poder” criado pelo seu antecessor, Dr. Paulo Azevedo, que ele sustenta e mantém vínculos estreitos e muito suspeitos. Foi isto que preguei durante o processo eleitoral e hoje vejo a sua confirmação diante desta triste realidade. Rompo o silêncio que vinha mantendo, na certeza de que o tempo passa depressa. Se não foi o suficiente para grandes obras, esperava-se minimamente uma outra atitude. O interesse do nosso povo não pode ser relegado às vantagens do que se deleitam como as benesses do poder. Está na hora do prefeito compreender que ele não cuida mais da produção de frutas, seu foco agora é garantir o bem-estar do nosso povo.

Escrito por Lucas Spínola: Livramentense, economista e mestre em desenvolvimento regional e urbano.

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